domingo, 26 de setembro de 2010

Narcissus Garden, obra de Yayoi Kusama

                                                 Narciso(mitologia)

Narciso era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope, e era um jovem de extrema beleza. Porém, à despeito da cobiça que despertava nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecedora do seu amor. E foi justamente este desprezo que devotava às jovens a sua perdição.
Pois havia uma bela ninfa, Eco, amante dos bosques e dos montes, companheira favorita de Diana em suas caçadas. Mas Eco tinha um grande defeito: falava demais, e tinha o costume de dar sempre a última palavra em qualquer conversa da qual participava.
Um dia Hera, desconfiada - com razão - que seu marido estava divertindo-se com as ninfas, saiu em sua procura. Eco usou sua conversa para entreter a deusa enquanto suas amigas ninfas se escondiam. Hera, percebendo a artimanha da ninfa, condenou-a a não mais poder falar uma só palavra por sua iniciativa, a não ser responder quando interpelada.
Assim a ninfa passeava por um bosque quando viu Narciso que perseguia a caça pela montanha. Como era belo o jovem, e como era forte a paixão que a assaltou! Seguiu-lhe os passos e quis dirigir-lhe a palavra, falar o quanto ela o queria... Mas não era possível - era preciso esperar que ele falasse primeiro para então responder-lhe. Distraída pelos seus pensamentos, não percebeu que o jovem dela se aproximara. Tentou se esconder rapidamente, mas Narciso ouviu o barulho e caminhou em sua direção:
- Há alguém aqui?
- Aqui! - respondeu Eco.
Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Queria saber quem estava se escondendo dele, e quem era a dona daquela voz tão bonita.
- Vem - gritou.
- Vem! - respondeu Eco.
- Por que foges de mim?
- Por que foges de mim?
- Eu não fujo! Vem, vamos nos juntar!
- Juntar! - a donzela não podia conter sua felicidade ao correr em direção do amado que fizera tal convite.
Narciso, vendo a ninfa que corria em sua direção, gritou:
- Afasta-te! Prefiro morrer do que te deixar me possuir!
- Me possuir... - disse Eco.
Foi terrível o que se passou. Narciso fugiu, e a ninfa, envergonhada, correu para se esconder no recesso dos bosques. Daquele dia em diante, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. Evitava o contato com os outros seres, e não se alimentava mais. Com o pesar, seu corpo foi definhando, até que suas carnes desapareceram completamente. Seus ossos se transformaram em rocha. Nada restou além da sua voz. Eco, porém, continua a responder a todos que a chamem, e conserva seu costume de dizer sempre a última palavra.
Não foi em vão o sofrimento da ninfa, pois do alto, do Olimpo, Nêmesis vira tudo o que se passou. Como punição, condenou Narciso a um triste fim, que não demorou muito a ocorrer.
Havia, não muito longe dali, uma fonte clara, de águas como prata. Os pastores não levavam para lá seu rebanho, nem cabras ou qualquer outro animal a freqüentava. Não era tampouco enfeada por folhas ou por galhos caídos de árvores. Era linda, cercada de uma relva viçosa, e abrigada do sol por rochedos que a cercavam. Ali chegou um dia Narciso, fatigado da caça, e sentindo muito calor e muita sede.
Narciso debruçou sobre a fonte para banhar-se e viu, surpreso, uma bela figura que o olhava de dentro da fonte. "Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!", disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim do ser. Apaixonou-se pelo aspecto saudável e pela beleza daquele ser que, de dentro da fonte, retribuía o seu olhar.
Não podia mais se conter. Baixou o rosto para beijar o ser, e enfiou os braços na fonte para abraça-lo. Porém, ao contato de seus braços com a água da fonte, o ser sumiu para voltar depois de alguns instantes, tão belo quanto antes.
- Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, também tu sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato.
Suas lágrimas caíram na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou:
- Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te.
Assim Narciso ficou por dias a admirar sua própria imagem na fonte, esquecido de alimento e de água, seu corpo definhando. As cores e o vigor deixaram seu corpo, e quando ele gritava "Ai, ai", Eco respondia com as mesmas palavras. Assim o jovem morreu.
As ninfas choraram seu triste destino. Prepararam uma pira funerária e teriam cremado seu corpo se o tivessem encontrado. No lugar onde faleceu, entretanto, as ninfas encontraram apenas uma flor roxa, rodeada de folhas brancas. E, em memória do jovem Narciso, aquela flor passou a ser conhecida pelo seu nome.


Narcissus Garden, ou Jardim de Narciso é uma obra de Yayoi Kusama inspirada na mitologia grega de Narciso.

Narcissus garden Inhotim (2009) é uma nova versão da escultura-chave de Yayoi Kusama, originalmente apresentada em 1966 para uma participação extra-oficial da artista na Bienal de Veneza. Naquela ocasião, Kusama instalou, clandestinamente, sobre um gramado em meio aos pavilhões oficiais, 1.500 bolas espelhadas que eram vendidas aos passantes por dois dólares cada. A placa colocada entre as esferas – “Seu narcisismo à venda” – revela de forma irônica sua mensagem crítica ao sistema da arte. Desde então, a obra acumulou um longo histórico de exposições, passando por importantes museus e espaços urbanos do mundo. Pela primeira vez na América Latina, a obra será instalada em Inhotim no terraço-jardim do Centro Educativo Burle Marx, estabelecendo um diálogo com a paisagem e a arquitetura do prédio.

Nessa versão, 500 esferas de aço inoxidável flutuam sobre o espelho d’água criando formas que se diluem ou se condensam de acordo com o vento e outros fatores externos. Evocando o mito de Narciso, que se encanta pela própria imagem projetada na superfície da água, a obra constrói um enorme espelho, composto por centenas de espelhos convexos, que distorcem, fragmentam e, sobretudo, multiplicam a imagem daqueles que a contemplam. Em sua releitura do mito, Kusama o desconstrói na medida em que proporciona uma experiência de dispersão da imagem, que ali é refratada ad infinitum, ao contrário da ilusão de unidade e completude vivenciada por Narciso.
                                       
A obra não tem caráter estático, e muda conforme o vento e o movimento d'água. Se você a vir mil vezes, nas mil vezes ela estará diferente. Se você se enxergar refletido em uma bola, você não será o mesmo neste reflexo. Será uma visão completamente distorcida de quem você realmente é, e como que numa representação da sociedade que nos tange, esta imagem será a refletida nas demais, por mais que as distorções contenham uma variação em cada uma das bolas. E isto mexe diretamente com o que você realmente pensa de si. Nós nunca queremos ser vistos da forma como somos refletidos, e sim da forma que queremos, mas não podemos comandar a cabeça alheia, e muito menos o reflexo das bolas.
                                                   
E assim Yayoi faz uma exposição provocativa questionando as pessoas e seus egos, a sociedade de suas percepções.
 

Yayoi kusama

Yayoi kusama nasceu em 1929 em Matsumoto-shi, Nagano-ken, Japão.
 

Vive e trabalha no Japão.

Formação:

1948 Introduzido classe sênior da Escola Municipal de Quioto de Artes e Ofícios,

1948-51 Estudou no Liceu de Artes e Ofícios, Kyoto,

Em novembro de 1957, mudou-se para a América, viveu em Seattle,

1957-58 Estudou na Liga dos Estudantes de Arte, de Nova York.

Yayoi kusama é considerada uma das maiores artistas plásticas POP do Japão. Conhecida por seu intenso trabalho com Bolinhas (que alguns chamam de Dots Obsession).

Kusama tem alucinações e pensamentos obsessivos graves desde a infância, muitas vezes de natureza suicida.


No início da carreira , começou cobrindo superfícies (paredes, pisos, quadros, e mais tarde, objetos domésticos e assistentes nus), com bolinhas de que se tornaria marca registrada de seu trabalho. Os vastos campos de bolinhas, ou "infinitas redes", como ela chamou, foram tomados diretamente de suas alucinações.
                      

Exibiu trabalhos com Claes Oldenburg, Andy Warhol e Jasper Johns. Kusama representou o Japão na Bienal de Veneza em 1993 e em 1998-1999, uma grande exposição retrospectiva do seu trabalho percorreu a Europa  e Japão.

Em outubro de 2006,  tornou a primeira mulher japonesa a receber o Praemium Imperiale, um dos prêmios mais prestigiados do Japão para os artistas internacionalmente reconhecidos.
Seu trabalho é baseado na arte conceitual e mostra alguns dos atributos do feminismo, minimalismo, surrealismo, Art Brut, a arte pop e do expressionismo abstrato, e é repleto de conteúdo autobiográfico, psicológica e sexual. Kusama é também uma escritora e poetisa,  criou um trabalho notável no cinema e design de moda.
                     details
 
  Desde 1967, ela tinha um monte de acontecimentos e espectáculos de moda, não apenas em Nova York, mas também na Holanda e em Roma.Movimentos contra a guerra do Vietnã e a eleição presidencial americana e elementos sociais foram adicionados à sua arte.Ela começou a criar Kusama Vestuário e têxteis, que eram vendidos em lojas de departamento e boutiques de todo os Estados Unidos. Em 1969 ela abriu sua própria loja.

                                 
                                       Photo
Começou a criar esculturas ao ar livre em 1994. Produzido peças ao ar livre para a Kenko Fukuoka Center, o Fukuoka Museu Municipal de Arte, o Bunka Mura-on Benesse ilha de Naoshima, Open-Air Kirishima Museu e Cidade Matsumoto Museum of Art, em frente Matsudai Station, Niigata, TGV's Lille-Europe Estação de França, Jardim Beverly Park, em Beverly Hills, Parque Pyeonghwa, Anyang e um mural para o corredor na estação de metro em Lisboa.

                   

Começou a mostrar obras, principalmente em galerias em Nova York em 1996. A exposição individual, realizada em Nova York no mesmo ano ganhou o melhor da Galeria Show em 1995/96 e Melhor Show, em 1996/97, Galeria da Associação Internacional







sábado, 11 de setembro de 2010

Pesquisa sobre Parkour, Deriva, Flaneur e Flash mob

PARKOUR

Parkour (por vezes abreviado como PK) ou l'art du déplacement (em português: arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápida e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto — e pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam parkour são reconhecidos como traceur e mulheres como traceuses.

DERIVA

A teoria da deriva é um dos trabalhos de autoria do pensador situacionista Guy Debord.A deriva é um procedimento de estudo psicogeográfico – estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. É sempre interessante construir um mapa do percurso traçado, esse mapa deve acompanhar anotações que irão indicar quais as motivações que construiu determinado traçado. É pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.
Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total.
Essas idéias, formuladas pela Internacional Situacionista entre as décadas de 1950 e 1970, levam em conta que o meio urbano em que vivemos é um potencializador da situação de exploração vivida. Sendo assim torna-se necessário inverter esta perspectiva, tornando a cidade um espaço para a libertação do ser humano.


FLANEUR

existe uma figura muito curiosa e fascinante, que dedica seu tempo a vagar pelas ruas, no intento de observar o que acontece ao seu redor, de captar algo de mais perene no cenário urbano. Este passante se locomove a pé – e sem pressa, como requer qualquer “trabalho” de análise da vida cotidiana que se preze. Tal personagem atende pelo nome de flâneur e surgiu há muitos anos atrás.

FLASH MOB

Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

FAD- Festival de arte digital

Em 2010, o FAD chega à 4ª edição. Mais uma vez, Belo Horizonte vai receber artistas de diversas partes do Brasil e do mundo. Na programação conteúdo artístico elaborado por meio de computadores, softwares, hardwares, celulares, filmadoras, câmeras digitais, dispositivos eletrônicos e digitais com baixa ou alta tecnologia.